terça-feira, 25 de junho de 2013


9° ANO Cap. IV “A ameaça totalitária” (p.42-p.54)

1)      A ascensão do totalitarismo (p.43-p.44)

·         No início dos anos de 1920, havia em muitos países devastados pela guerra um forte sentimento de impotência. Em setores da sociedade, difundiram-se a descrença da democracia e a rejeição dos valores socialistas. Essa atitude criou condições para a formação de movimentos autoritários e intolerantes que propunham a constituição de um governo forte e o restabelecimento da ordem

·         À medida que a crise econômica piorava, os grupos de extrema-direita ganhavam força. No final da década de 1920, a principal corrente política dessa tendência era o fascismo, surgido na Itália pouco tempo depois da Primeira Guerra Mundial.

·         Os dois principais líderes fascistas foram: Benito Mussolini , na Itália; e Adolf Hitler, na Alemanha sendo  principal líder nazista.

 

Conceitos:

1)      Autoritarismo: (autoritário): pensamento que exalta a ideia de autoridade, em detrimento da liberdade;

2)      Extrema direita: corrente política antidemocrática e antissocialista, partidária de um governo forte e autoritário;

3)      Nacionalismo: doutrina que valoriza o sentimento nacional de pátria;

4)      Internacionalismo: doutrina que prega a aliança internacional de grupos sociais, em oposição ao nacionalismo;

5)      Arianos: europeus de “raça” branca supostamente pura, descendentes de povos de origem indo-européia.

6)      Pluripartidarismo: situação na qual diversos partidos competem para conquistar o eleitorado e o poder;

7)      Corporação: forma de organização que reúne patrões e empregados de um mesmo ramo profissional;

8)      Corredor polônes: faixa de terra que ligava a Polônia ao mar báltico, cortando em dois o norte da Alemanha;

9)      Totalitarismo: forma extrema de autoritarismo. O Estado  totalitário se caracteriza pelo regime de partido único, pelo esgotamento de todo tipo de oposição e pela utilização do terro como instrumento de governo. Ele controla os meios de comunicação (rádio, televisão, jornais, etc ...) suprime as liberdades individuais e coletivas, proíbe as greves e persegue implacavelmente os dissidentes. O que mais o diferencia de outras formas de ditadura é que o Estado totalitário invade a privacidade das pessoas, controlando-as em sua vida íntima e familiar, enaltecendo a delação e estimulando até mesmo crianças a denunciarem seus pais. Para alguns historiadores, somente a União Soviética, e o nazismo na Alemanha foram regimes totalitários.

10)  Dissidente: pessoa que discorda do regime dominante e faz críticas a ele.

11)  Ditadura: existem diferentes formas de ditadura no mundo contemporâneo, algumas características básicas são compartilhadas por todas:

a)      O cerceamento de direitos políticos e individuais;

b)      A ampla utilização da força pelo Estado contra a sua própria sociedade;

c)      O fortalecimento do poder executivo em detrimento dos outros poderes.

12)  Características do fascismo:

a)      Nacionalismo;

b)      Militarismo;

c)      Unipartidarismo;

d)      Culto da personalidade do líder;

e)      Anticomunistas;

f)       Totalitário;

g)      Xenofóbico.

13)  Características do nazismo:

a)      Todas as principais características do fascismo;

b)      Antissemitismo;

c)      Racismo: (distinção entre raças superiores e inferiores) a raça superior era dos arianos e a raça inferior era a dos judeus.

14)  Origens do fascismo e nazismo:

a)      Fascismo: das elites italianas;

b)      Nazismo: das classes operárias.

15)  A base destes regimes: é o Estado forte, patrimonialista, que restringe as liberdades individuais em favor de uma suposta melhoria das condições de vida das massas.

16)  O Estado nazista: existia para servir ao “povo superior dos arianos”. No Estado nazista a população vivia para servir o Estado.

1° ANO Cap. XVI “O absolutismo em marcha”

 

1.      Todo o poder ao rei (p.265-p.266)

·         Na Idade Média, os reis eram reconhecidos como sagrados. Alguns eram ungidos pela Igreja no ato da coroação. No inicio da época Moderna, reis com essas características continuaram a existir e muitas cerimonias politicas de origem medieval permaneceram quase intactas. Então, fica a questão: qual a diferença, afinal, entre os reis medievais e os novos monarcas da época moderna?

·         O rei medieval era, apesar do prestígio, apenas um entre outros condes ou duques e dependia, como todos os nobres da época, dos exércitos de vassalos para manter ou ampliar seus domínios territoriais. O novo monarca moderno, pelo contrário, tonou-se de fato o senhor de todos os senhores e construiu seu poder com base em um exército permanente e em uma vasta burocracia.

·         Assim, podemos dizer que, em contraste com a fragmentação política da Idade Média e o frágil poder dos reis, o Estado moderno se caracterizou pela progressiva centralização do poder, pela imposição da justiça, da moeda e legislação reais sobre os senhores, pelo fortalecimento do sistema e pela militarização da realeza.

·         A essa monarquia, cada vez mais fortalecida, os historiadores do século XIX chamaram monarquia absoluta, inspirados em Voltaire, que assim a nomeou, no século XVIII. O regime instalado por esses reis foi denominado absolutismo.

·         Podemos dizer que o absolutismo monárquico foi um processo de centralização política nos reinos europeus, no qual todo o poder se concentrava nas mãos do rei.

 

7. O que foi o absolutismo? (p.277-p.278)

·         Pode-se resumir que o absolutismo se fundamentou no crescente poderio militar do monarca, que submeteu as demais casas aristocráticas dos reinos.

·         Os reis absolutistas também construíram uma máquina burocrática onde melhoraram o sistema de cobrança de impostos e unificaram, na medida do possível, o sistema judiciário e legislativo dos respectivos reinos.

·         Importante dizer que os Estados Modernos não eram propriamente Estados Nacionais, nem sua população eram constituída de cidadãos de uma nação específica; os Estados Modernos eram reinos e sua população era composta de súditos do rei.

O peso da religião (p.278)

·         Uma das características essenciais do absolutismo monárquico foi o caráter confessional do Estado, isto é, a existência de uma religião oficial.

1° ANO Cap. XV “Tempo das Reformas” (p.246-p.261)

 

1.      Cristandade em crise (p.247-p.248)

·         No inicio do século XVI, a Igreja Católica dedicou-se como nunca, à venda de indulgências. Os vendedores asseguravam que quem pagasse por elas teria seus pecados mortais abolidos, garantindo seu lugar ao lado de Deus.

·         Martim Lutero, monge agostiniano, se insurgiu contra a venda de indulgências, embora, sua crítica fosse mais profunda – expressava uma expectativa de reforma geral da Igreja de Roma.

 

2.      Lutero desafia a Igreja (p.249-p.251)

·         Lutero desafiou abertamente a Igreja, criticando não só as indulgências, mas diversos abusos do clero que afastávamos fiéis da Igreja. Foi o estopim para o inicio do movimento que acabaria conhecido como Reforma Luterana.

·         Lutero não desejava chegar ao extremo de romper com a Igreja. Contentava-se com uma reforma interna, que fosse capaz de aproximar os fiéis da Igreja e doutrina-los em proveito da salvação espiritual. Mas o alto clero reagiu, exigindo uma retratação de Lutero, que não apenas desobedeceu à ordem como confirmou suas posições críticas em relação à Igreja.

·         A intolerância da Igreja fez Lutero radicalizar suas posições.

·         O pensamento reformista de Lutero pode ser resumido em três doutrinas: a justificação ou salvação pela fé, o sacerdócio universal, e a infalibilidade da Bíblia.

·         A doutrina luterana punha em xeque os sacramentos, exceto o batismo e a eucaristia celebrada na missa.

·         Lutero foi o primeiro a traduzir a Bíblia para uma língua vulgar (falada pelo povo), no caso, o alemão.

Reforma Consolidada:

·         O sucesso da Reforma  pode ser explicado:

·         1°) principalmente pela obstinação de Lutero;

·         2°) a invenção da imprensa;

·         3°) o apoio dos senhores feudais do Sacro Império.

·         Os seguidores de Lutero foram chamados de “protestantes” por seus adversários católicos.

 

3.      A reforma de Calvino

·         A reforma luterana ainda estava no inicio quando surgiu o segundo grande líder da reforma protestante: o francês João Calvino.

·         Calvino após romper com a Igreja Católica, buscou abrigo na Suíça, onde se dedicou aos escritos que originaram a segunda versão da Reforma protestante.

·         A doutrina original de Calvino era a de que todos os cristãos já nasciam pecadores, cabendo somente a Deus decidir de antemão quais deveriam ser salvos e quais deveriam penar eternamente no Inferno. Desse modo, para Calvino de nada valiam as “boas obras”, muito menos os sacramentos. Nada que o cristão fizesse em sua vida poderia salvar sua alma, que já era predestinada pelo desígnio divino salvar-se, ou a perder-se. Assim como Lutero, Calvino negou a existência do Purgatório, estágio considerado intermediário para almas pecadoras aliviarem suas culpas. Céu ou Inferno eram considerados os únicos destinos possíveis.

·         Quanto aos sacramentos, Calvino aceitou inteiramente apenas o batismo e, em certa medida, a eucaristia. Ainda assim, não a definiu nos termos do mistério eucarístico (a transubstanciação). Ele considerava que o pão era somente pão e o vinho somente vinho.

 

4.      A expansão do protestantismo (p.254-p.258)

·         A difusão da Reforma protestante foi extraordinária, produzindo várias correntes com diversos nomes – quase todas derivadas, em maior ou menor grau, das versões luterana e calvinista.

·         O fato é que a Reforma protestante rompeu o monopólio da Igreja de Roma no Ocidente europeu, favoreceu a pulverização de igrejas cristãs, e provocou conflitos sangrentos. Em toda parte, os seguidores de Roma acusavam os protestantes de hereges, enquanto estes os tachavam de papistas ou idólatras.

Reforma anglicana, uma decisão do rei (p.255)

·         No caso da Inglaterra, a Reforma partiu de cima. O rei Henrique VIII fez uma petição ao Papa para anular o seu casamento e então poder casar com sua amante. O Papa negou o pedido. Então o rei da Inglaterra rompeu com a Igreja Católica e se auto proclamou chefe supremo da Igreja e do clero na Inglaterra.

·         Os rituais e a hierarquia permaneceram semelhantes aos da Igreja de Roma.

 

5.      O sentido da Reforma protestante (p.258-p.259)

·         Muitos historiadores consideram a existência de uma intima relação entre a Reforma Protestante e o surgimento do capitalismo, já que os protestantes não rejeitavam o comercio e a usura, além de enaltecer o trabalho, a poupança e a riqueza material como sinais da graça divina.

 

6.      A reação da Igreja de Roma (p.260-p.261)

·         Em 1545, foi o convocado o Concílio de Trento – o mais longo concílio da Igreja católica, só concluído em 1563.

·         O concílio confirmou todas as tradições católicas, os dogmas, os rituais e o poder papal.

·         Também como reação foi fundada Companhia de Jesus (jesuitas) com a missão de buscar novas almas para a Igreja de Roma.

segunda-feira, 24 de junho de 2013


2° ANO Cap. XV “O Imperialismo ataca o mundo” (p.302-p.324)

1.      O que é o imperialismo? (p.303-p.307)

·         Durante o século XIX, a palavra imperialismo foi usada para identificar a política de colonização ou tutela da Grã-Bretanha sobre regiões ou países de outros continentes. Os que defendiam o Império britânico se autodenominavam, com orgulho, imperialistas.

·         Para os imperialistas, a expansão britânica era benéfica para os povos colonizados, em contraste com o que ocorrera nos impérios do passado. A justificativa – ideológica – era de que os ingleses tinham a obrigação moral de levar a “civilização” às partes do mundo que a desconheciam. Muitos interpretavam isso como um sublime e generoso dever.

Raça e evolução:

·         A teoria evolucionista de Darwin foi utilizada ideologicamente pelos imperialistas, ajudando a da base científica ao que ficou conhecido como darwinismo social. Segundo seus defensores, as raças humanas seriam desiguais: algumas geneticamente superiores às outras, sobretudo quanto à inteligência. O darwinismo social desdobrava-se, portanto, na chamada antropologia física ou biológica, característica do século XIX.

·         Obviamente Darwin nunca defendeu tais argumentos. Foram apropriações seletivas e inadequadas de sua teoria evolucionista.

·         A teoria evolucionista sobre as sociedades não foi o motivo do imperialismo, mas os europeus a usaram como justificativa para impor seu domínio.

·         Em resumo, a Antropologia do século XIX era tremendamente racista e influenciou, em grande medida, as doutrinas imperialistas concebidas na Europa ocidental.

Imperialismo e capitalismo:

·         No polo oposto aos que defendiam o imperialismo europeu estavam os intelectuais de esquerda, críticos do capitalismo. Entre eles, destacou-se principalmente o revolucionário russo Vladimir Lênin, autor do livro O imperialismo: fase superior do capitalismo (1916).

·         Como sugere o título do livro, Lênin considerava o imperialismo um estágio avançado do capitalismo, organizado em grandes monopólios. Sua sobrevivência dependeria da expansão para outros territórios fora da Europa, para exportação de capitais.

·         Esse capitalismo avançado, que Lênin chamou de capitalismo monopolista ou imperialista, era diferente daquele analisado por Karl Marx, pois o capital, naquele tempo reproduzia-se simplesmente pela produção de bens para a venda no mercado interno ou externo. Para os países imperialistas, implicava em dominar áreas fornecedoras de matérias-primas, sobretudo aquelas usadas na indústria pesada. Para isso era preciso investir diretamente n economia dos territórios coloniais, segundo os interesses do grande capital das metrópoles europeias.

·         A política imperialista era, assim, a base desse novo colonialismo, que resultou na partilha da África e da Ásia e possuía um sentido muito negativo. Passou a ser, para os socialistas, sinônimo de saque e exploração, causados pela política colonialista das grandes potências.

O Colonialismo:

·         A partir de 1880, a disputa do mundo entre as grandes potências se tornou frenética, e não somente para vender produtos manufaturados por preços mais elevados e comprar, a preço baixo, produtos agrícolas (como o açúcar) ou metais preciosos para cunhar moedas, como ocorria no sistema mercantilista. Nesse novo momento, os países europeus buscavam áreas ricas em matérias-primas, como ferro, carvão, cobre e outros minerais necessários para as indústrias. Buscava-se, ainda, áreas de investimento, onde fosse possível instalar ferrovias e conceder empréstimos a juros altos. Tudo com o alegado objetivo de levar a outros povos os benefícios da civilização ocidental.

·         Muitos historiadores denominam esse fenômeno de corrida imperialista. As áreas cobiçadas pelos países industrializados sofreram pressões e ataques, transformando-se em colônias, protetorados ou domínios.

·         A Inglaterra, maior potência industrial da época, foi a principal beneficiária da corrida imperialista. No final do século XIX, os ingleses chegaram a ter o controle direto sobre um quarto da superfície terrestre. Incluídas as chamadas “áreas de influencia britânica”, cujo domínio era mediado por autoridades locais, quase um terço do planeta estava inserido no poderoso império britânico – o império onde “o Sol nunca se punha”.

·         Em segundo lugar na corrida imperialista, bem abaixo dos britânicos, destacava-se a França, seguida pela Bélgica e a Holanda. A Alemanha saiu muito atrás dos outros, assim como a Itália, por conta dos processos tardios de unificação, finalizados por volta de 1870.

·         O fenômeno do imperialismo ocidentalizou grande parte do mundo, destruindo, modificando ou inferiorizando a cultura de muitos povos.

2° ANO Cap. X “Os trabalhadores vão à Luta” (p.184-p.198)

1.      O trabalho na Inglaterra (p.185-p.186)

·         Ao final das guerras napoleônicas, a burguesia inglesa estava bastante otimista. Acreditava que o fim do conflito traria a abertura de vários mercados. Mas, ao contrário, ocorreu uma queda brusca na procura por manufaturados, sobretudo porque o conflito provocou o empobrecimento das populações de muitos países.

·         O desempregado era agravado pela entrada de 300 mil ex-soldados no mercado de trabalho, desmobilizados com o fim da guerra.

 

2.      Ser operário (p.186-p.187)

·         A industrialização da Inglaterra trouxe, ao longo do tempo, benefícios para toda a sociedade. Mas também  acabou gerando sofrimento para os trabalhadores, até mesmo pelas leis que colocassem limite à cobiça dos patrões.

·         Milhões de trabalhadores foram afetados pelos cercamentos, pelos baixos salários na indústria, pela utilização indiscriminada das mulheres e crianças no serviço fabril.

·         Os baixos salários, umidade ou frio excessivo, jornadas de até 16 horas diárias, ar poluído, sujeira, humilhações sofridas pelos trabalhadores, acidentes com máquinas que provocavam mutilações e até a morte. Os operários eram constantemente vigiados e obedeciam a horários rigorosos, numa verdadeira disciplina que não excluía a violência física dos capatazes.

·         O fantasma do desemprego estava sempre presente, obrigando o trabalhador a suportar esse regime disciplinar.

 

3.      Ludistas e cartistas: início do movimento operário (p.187-p.191)

1°) Ludistas:

·         A ordem social baseada nos ofícios, nos costumes tradicionais e na vida comunitária perdia lugar para a fábrica e suas tecnologias.

·         Essa situação incentivou a formação de movimentos contra o uso das máquinas. Entre 1811 e 1819, houve uma série de ataques às fábricas: homens armados com martelos, machados e pistolas, com rostos pintados de preto, invadiam as instalações para quebrar as máquinas, vistas como as grandes vilãs, responsáveis por roubar o emprego dos trabalhadores – em particular dos tecelões.

·         Este movimento foi chamado de ludista, por causa do suposto general Nelson Ludd que assinava as cartas enviadas aos donos das fábricas antes de ataca-las.

·         A reação do governo foi violenta, com enforcamentos, prisões e deportações.

·         O governo chegou a infiltrar pessoas para fomentar desordens e, dessa forma, poder estimular medidas ainda mais severas. A repressão inibiu a atuação dos ludistas a partir de 1819.

2°) Cartistas:

·         No final da década de 1830 surgiu o movimento cartista, mais organizado e centralizado em reivindicações políticias. A iniciativa partiu da Associação dos Trabalhadores  de Londres, com a divulgação da Carta do Povo (origem do nome cartismo)

·         Seus lideres foram presos, mas posteriormente libertados o movimento ganhou novo fôlego – em especial com a formação da Associação Cartista Nacional, origem do primeiro partido popular da época contemporânea.

3°) A classe operária:

·         Desde fins do século XVIII, os trabalhadores ingleses vivenciavam uma série de conflitos com dirigentes políticos e empregadores. Esses embates permitiram que identificassem seus interesses, em contraposição aos interesses das elites políticas e patronais. Percebiam-se, assim, como classe, em oposição aos burgueses.

 

4.      Projetos de socialismo (p.191-p.193)

O socialismo utópico:

·         Ao longo do século XIX, surgiram várias doutrinas socialistas, a maioria herdeira do pensamento jacobino que marcou a fase radical da Revolução Francesa. Essas doutrinas ganharam corpo e se difundiram em meio à expansão das sociedades industriais.

·         Para os primeiros socialistas, a desigualdades provocadas pela intensa concentração de riquezas no mundo industrial eram inaceitáveis. Para solucionar esse problema, formularam projetos revolucionários ou reformistas.

·         O termo socialismo tornou-se conhecido a partir das doutrinas  do britânico Robert Owen, empresário que propunha um sistema econômico baseado na formação de cooperativas de trabalho, que incluíam escolas e moradias para os trabalhadores.

·         Robert Owen pretendia “humanizar o capitalismo” sem destruí-lo.

·         Nesta mesma época, existiram ainda projetos socialistas que pregavam a revolução social, como o formulado por August Blanqui na França. O chamado blanquismo baseava-se na fase mais radical da Revolução Francesa. Recorria a métodos conspiratórios, com uma organização secreta liderando a revolução social. Assim desprezavam os métodos institucionais e era contrário à participação política dos trabalhadores por meio das eleições.

O socialismo científico:

·         Dentre as propostas formuladas no século XIX, aquela que obteve maior repercussão foi a de Karl Marx, e Friedrich Engels, autores do projeto socialista que mais inspirou revoluções sociais ao longo do século XX.

·         Segundo eles, os projetos anteriores acenavam com melhorias nas condições de vida dos trabalhadores, sem apresentar alternativas revolucionárias capazes de destruir a sociedade burguesa. Por isso, enquadraram tais projetos na categoria de socialismo utópico, romântico ou reformista, qualificando o seu projeto como socialismo utópico científico e revolucionário.

·         O projeto marxista se baseava na concepção de que a história da humanidade era determinada pela base econômica de cada sociedade historicamente considerada (modo de produção) e pela dinâmica das relações de classes correspondentes a essa base econômica.

·         O capitalismo foi por eles considerado como a forma mais desenvolvida da sociedade de classes, na medida em que o trabalhador, despossuído dos meios de produção, era levado a vender sua força de trabalho aos empresários.

·         A exploração do trabalho passou do uso da força, para a própria economia, isto é, na diferença entre o preço de determinada mercadoria e o valor monetário recebido pelo operário para produzi-la: a mais-valia. No raciocínio de Marx, se determinada mercadoria custasse 10 reais e, para produzi-la, o trabalhador recebesse 2 reais de salário, a mais-valia seria de 8 reais, base do lucro burguês na produção daquela mercadoria.

 

5.      Anarquistas em cena (p.194)

·         O termo anarquismo vem do grego anarkhía e significa “ausência de poder”.

·         O movimento anarquista ganhou força a partir da industrialização e da organização dos operários no século XIX.

·         Os anarquistas repudiavam uma revolução que levasse à formação de qualquer organismo com poder coercitivo sobre os indivíduos. Nisso se distanciavam das propostas de Marx e Engels, que defendiam a formação de um Estado controlado pelo proletariado – a ditadura do proletariado – antes de se atingir o comunismo.

·         Os principais expoentes do pensamento anarquista foram o francês Pierre-Joseph Proudhon, e o russo Mikhael Bakunin.

·         Proudhon foi autor da célebre frase: “A propriedade é um roubo”, base de seu projeto revolucionário em prol de uma sociedade igualitária de pequenos produtores associados, no campo e na cidade.

 

6.      Os trabalhadores e a Primeira Internacional (p.194-.195)

·         No inicio dos anos de 1860, em vários países, os trabalhadores estavam organizados em sindicatos e associações para lutar por seus direitos.

·         Em 1824, em Londres, realizou-se a primeira reunião da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT). Conhecida como a Primeira Internacional.

·         A Primeira Internacional dos Trabalhadores teve vida curta. As divergências colocaram marxistas e anarquistas em lados opostos.

·         Mesmo assim, a Primeira Internacional foi um marco na história dos movimentos sociais, ao atribuir à classe operária uma missão revolucionária: derrubar o capitalismo no mundo e impor, pela primeira vez na história, uma sociedade igualitária e livre de qualquer forma de exploração.

 

7.      A Comuna de Paris: a classe operária no poder (p.196)

·         A guerra franco-prussiana foi desastrosa para a França, com derrotas, invasão e ocupação do país pelos inimigos. Diante da fragilidade do governo de Napoleão III, a Assembleia Nacional proclamou a Terceira República.

·         Neste contexto ocorreu um movimento revolucionário, conhecido como Comuna de Paris. Com duração de 72 dias, é considerada por muitos historiadores como a primeira experiência de um governo operário. Teve inicio em 18 de março de 1871, quando a Guarda Nacional se recusou a reprimir os revoltosos.

·         O governo de operários determinou a ocupação das fábricas abandonadas e proibiu o trabalho feminino e infantil. No campo político, a principal vitória da Comuna foi a adoção do sufrágio universal para preencher, por via eleitoral, todos os cargos administrativos, judiciais e educacionais da República.

·         A Comuna, entretanto, ficou restrita a Paris. Foram derrotados, com repressão violenta resultando em milhares de mortos. A repercussão dos acontecimentos estimulou os governos a reprimir com truculência os movimentos operários e as ações de partidos ou movimentos operários inspirados nas ideias de revolução social.

 

7.1 A social-democracia e a Segunda Internacional (p.197)

·         Inspirados nas ideias marxistas, sindicalistas e intelectuais fundaram partidos social-democratas em vários países. Originalmente, o projeto de tais partidos era lutar por uma “revolução socialista”, sob a inspiração das ideias de Marx. Porém, enquanto essa revolução não estivesse madura, cabia defender a classe operária, no campo institucional, contra as injustiças do capitalismo. Isso equivalia a participar, ao menos temporariamente, do jogo político-eleitoral da chamada democracia burguesa.

·         A social-democracia abandona o projeto revolucionário

·         A experiência social-democrata éde destacada importância peal criação de uma cultura socialista de caráter internacional. Ao mobilizar os trabalhadores a participar das eleições, os sociais-democratas mantiveram acessa a esperança de alcançar o socialismo.